Cia. Borelli de Dança estreia espetáculo no Centro de Sampa

Franz Kafka inspirou filmes, espetáculos cênicos e livros. Há um museu sobre o autor tcheco em Praga. Sua importância na arte contemporânea é notória. Pois foi inspirada na obra Um Artista da Fome que a Cia Borelli criou, com o apoio do 13º Fomento à Dança da Cidade de São Paulo, o espetáculo ARTISTA DA FOME, com concepção, direção e coreografia de Sandro Borelli, e que tem nova temporada prevista entre os dias 07 a 10 de março na Galeria Olido, 14 a 24 de março no Centro Cultural São Paulo, na Sala Jardel Filho, e 29 a 31 de março de 2013 no Espaço Kasulo, em São Paulo.

ARTISTA DA FOME discute a relação entre o público e a celebridade instantânea. Em cena, uma análise cênica sobre a busca incessante pela fama / poder/ status / dinheiro e o apetite pela informação por sexo e tecnologia descartável – incomensurável a que se entrega a sociedade de consumo, ávida por novidades banais e a conseqüente anulação de valores éticos. A Cia Borelli assume, mais uma vez, o compromisso de buscar um retrato realista, sem retoques, do mundo atual, a fim de compor uma obra visceral, densa e, principalmente, engajada em uma arte com viés sócio/político.

A cultura da imagem, inspirada por súbitas e fugazes celebridades, o conceito do descartável para todas as coisas, inclusive as relações pessoais e a extinção de valores éticos foram o norte da pesquisa empreendida pelos integrantes da companhia durante o processo de montagem do Artista da Fome, que teve sua primeira temporada em julho de 2008.

Kafka como objeto de estudo
Desde 2000 o grupo estuda e representa as obras que julga mais relevantes do universo kafkiano – já montaram Kasulo e A Metamorfose, em 2002, O Abutre e O Processo, em 2003, Carta ao Pai, em 2006, e Kafka in Off em 2007. Sobre a obra Um Artista da Fome, Sandro Borelli, diretor da companhia, diz que “… continua atual, mesmo tendo sida escrita há mais de 80 anos, e queremos promover essa discussão sobre o que a arte está significando hoje em dia: o que é ser artista no mundo e no Brasil”, e completa: ”As suas (nossas) melhores habilidades hoje não significam nada ou cada dia valem menos”.
Um Artista da Fome

Neste trabalho, Kafka trata dos indivíduos marginalizados pela sociedade e a fragilidade humana frente à revolução industrial, revelando o quanto de ínfimo são as habilidades destes indivíduos. O jejuador é o protagonista em questão, um tipo de artista esquecido há tempos, capaz de ficar dias sem comer. A ideia da companhia é propor uma estética em que teatro e dança dialogue, provocando uma reflexão sobre a alma humana e suas contradições, revelando o desespero do homem moderno desprovido de forças para lutar contra uma sociedade que o oprime e não o valoriza.

A Cia Borelli de Dança





Companhia de dança independente que desenvolve pesquisas e criações desde 1997 tendo em seu repertório 21 peças coreográficas: “Eu em Ti” (2011), “Produto Perecível Laico” (2011), “Estado independente” (2009), “Artista da Fome” (2008), “Carne santa” (2007), “Kafka in off” (2007), “Carta ao pai” (2006), “Adeus deus” (2005), “Ponto final da última cena” (2004), as duas últimas, montadas originalmente para o Balé da Cidade de São Paulo, e incorporadas ao repertório da companhia em 2010, “Gárgulas” (2004), “O processo” (2003), “Kazulo” (2002), “A metamorfose” (2002), “Versos íntimos” (2002, composta para a Distrito Companhia de Dança e incorporada ao repertório em 2010), “O abutre” (2003), “Jardim de tântalo” (2002/2008), “33 – O eu e o outro” (2001), “Senhor dos anjos” (2001/2009), “Bent – o canto preso” (1999/2008), “Solidão proclamada” (1998), e  “Ifá – se querem gritar para o mundo”(1997).

O desejo de questionar a existência humana, suas contradições e incertezas, nutre o trabalho da Cia. Borelli de Dança, que busca elementos na relação entre violência, prazer, leveza e dor para suas composições. Dentro dessa proposta, produz resultados estéticos em que a certeza é substituída pela recusa de soluções lineares, transformando o gesto e o movimento não em narrativas, mas em signos estruturalmente prisioneiros da ambiguidade.

O percurso da companhia é pautado pela dança-teatro. A teatralidade que o coreógrafo imprime ao trabalho do grupo tem a intenção de gerar e provocar reflexão na plateia e não deixá-la apenas na superfície do entretenimento banal. Os universos de Che Guevara, do poeta Augusto dos Anjos e de Franz Kafka constituem o arcabouço filosófico-intelectual da companhia.

Diversos espetáculos da companhia viajaram pelo Brasil, o que indica repercussão e relevância do trabalho: Festival Viva a Dança em Salvador (2013), Festival de Dança e Teatro Mova-se em Manaus (2010), Festival Internacional de Dança Contemporânea “Mesa Verde” em Porto Alegre (2009), Festival Internacional de Teatro em Belém do Pará (2008), Festival de Dança Contemporânea de Itajaí/SC (2005), Festival Internacional de Londrina (2004),  Porto Alegre Em Cena em Porto Alegre (2001), Festival de Teatro de Curitiba (1999), “Brasil com S”, em Nova York (1998), Festival de Dança, Teatro e Música de Buenos Aires, Argentina (1999) e no Festival “Danza Nueva”, no Peru (2002).

Serviço no bairro do Centro de São Paulo:

Duração: 50 minutos Recomendação: 14 anos

07 a 10 de março de 2013

Galeria Olido

Avenida São João, 473 – República, Guia de São Paulo, 01035-000

Telefone: (11) 3331-8399

Quinta a sábado às 20h e domingo às 19h

Ingresso: gratuito – Retirar uma hora antes

Lotação: 137 lugares

14 a 24 de março de 2013

Centro Cultural São Paulo – Sala Jardel Filho

R. Vergueiro, 1000 – Liberdade,  São Paulo, 01504-000
Telefone: (11) 3397-4002

Quinta-feira a sábado às 21h e domingo às 20h

Ingresso: entrada franca

Lotação: 321 lugares

29 a 31 de março de 2013

Kasulo Espaço de Cultura e Arte

R. Sousa Lima, 300/Sobreloja, Barra Funda (próximo ao Teatro São Pedro)

Sexta e sábado, 21h e domingo 20h

Telefone: (11) 3666-7238

Lotação: 30 lugares – Entrada Franca





Deixe seu comentário