I Mostra Teatral de Direitos Humanos acontece no Centro de SP

A 1ª Mostra Teatral de Direitos Humanos, que começa na próxima segunda-feira (17), no Teatro Studio 184 e no Espaço Redimunho, na região central de São Paulo (SP), reunirá uma série de peças, leituras dramáticas e debates para tratar da luta pela garantia de direitos – e das maneiras como eles têm sido historicamente violados. O fato de o tema ser abordado por grupos de teatro paulistanos, cujo direito à sobrevivência tem sido continuamente desrespeitado pela administração pública – dada a precarização das políticas voltadas à cultura –, entra como elemento crítico adicional.

“O teatro sempre foi, na esfera das artes, a linguagem mais perseguida”, afirma Dulce Muniz, atriz, diretora teatral e militante socialista, responsável pela organização da Mostra. Veterana do Teatro de Arena da cidade de São Paulo, no qual foi uma das criadoras do teatrojornal, em 1970, Dulce Muniz enfrentou, no período ditatorial, a censura imposta pelo Ato Institucional nº 5 e a repressão violenta empreendida contra ativistas políticos. “Foram muitos os diretores, autores e atores presos e torturados pelo regime – como foi o caso de Augusto Boal”, acrescenta, lembrando ainda que sua antiga professora no Arena, a atriz e diretora Heleny Guariba, figura até hoje na lista de “desaparecidos políticos” da Ditadura Militar.

Naqueles anos, a própria Dulce acabaria sendo presa.   Prestando homenagem a Heleny e Boal e a figuras como o cartunista Henfil, o teatrólogo Fernando Peixoto e o publicitário Carlito Maia, a Mostra não tratará, contudo, apenas da luta pelos direitos políticos. “Idealizamos uma estrutura em que diferentes tipos de direitos humanos serão discutidos em cada espetáculo ou leitura dramática”, explica Dulce.

Peças





Serão apresentadas peças como Carne – Patriarcado e Capitalismo (quinta, 20/9), da Kiwi Cia. de Teatro, que aborda os mecanismos patriarcais de opressão sobre a mulher na sociedade capitalista, O Lixão (sábado, 22/9), da Cia. Pasárgada, que conta a história de uma montanha de lixo acumulada em um terreno baldio, e Brasil de Cabelos Brancos (sexta, 28/9), da Cia. Pompacômica, que aborda o envelhecimento e as questões que envolvem a terceira idade.

Entre as leituras dramáticas, estão previstas peças como Tito (terça, 18/9), sobre o frei dominicano preso e torturado pela Ditadura Militar, de Solange Dias, e o O Poder Negro(quarta, 19/9), de LeRoi Jones – escritor estadunidense que, posteriormente, mudou o nome para Amiri Baraka.

Algumas peças serão seguidas de debates que darão continuidade aos conteúdos apresentados. Após a leitura de Heleny, Heleny doce colibri, peça sobre a diretora Heleny Guariba, haverá um debate a Ditadura brasileira (segunda, 24/9), e um debate sobre a condição do trabalhador sucederá a leitura da peça 1º de Maio, de Pietro Gori (sábado, 29/9).

Foram planejados, ainda, debates sobre a violência, a comissão da verdade e os direitos da criança e do adolescente. Dentro do tema do direito à informação, está prevista uma homenagem aos militantes da imprensa alternativa dos anos de 1970.

Inspirada na Mostra de Cinema e Direitos Humanos da América do Sul, a 1a Mostra Teatral de Direitos Humanos recebeu apoio cultural do mandato do deputado estadual Adriano Diogo (PT). Todas as atividades serão gratuitas.

Serviço

Local: Teatro Studio 184

Endereço: Praça Roosevelt, 184 – Centro

Informações: (11) 3259-6940

Local: Espaço Redimunho de Teatro

Endereço: Rua Álvaro de Carvalho, 75 – Centro

Informações:
(11) 3101-9645

Fonte: Brasil de Fato





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