PM ficará mais seis meses na Cracolândia no Centro de São Paulo

A ocupação por policiais militares da região da Cracolândia e dos bairros em seu entorno, no Encontra Centro de São Paulo, vai durar pelo menos mais seis meses.

A afirmação foi feita nesta quarta-feira (11) pelo comandante-geral da PM, coronel Álvaro Batista Camilo, que anunciou também uma série de normas que devem ser seguidas pelos policiais.

São regras do tipo: “a postura deve ser enérgica sem demonstração de agressividade, porém ostensiva e desestimuladora” e “dependentes químicos têm a opção de buscar tratamento adequado, fornecido pelos órgãos assistenciais e de tratamento”.

– O objetivo neste primeiro mês é diminuir a atuação dos traficantes.

Neste período, 287 homens permanecerão no local, com apoio de 117 carros e 26 motos, além de bicicletas, cavalos, cachorros e do helicóptero Águia – normalmente, o efetivo é de 28 agentes, divididos em dois turnos.

Camilo afirmou ainda que, nos meses seguintes, a PM ficará para garantir trabalhos de saúde e assistência social.

– No segundo semestre, avaliaremos se é o caso de diminuir o efetivo.

O plano da PM é manter 120 homens vindos do Comando de Policiamento da Capital, concentrados nas ruas da Cracolândia. Outros 152 são do Policiamento de Choque e vão fazer rondas permanentes nos bairros vizinhos para tentar evitar a migração dos usuários no entorno. Ainda participam da operação 12 bombeiros.

Balanço da operação

A Polícia Militar já prendeu 60 pessoas desde terça-feira (3). Entre os presos, 34 pessoas eram foragidas da Justiça. De acordo com último balanço divulgado nesta quinta-feira (12), 3.441 pessoas foram abordadas pela polícia, e pouco menos de meio quilo de pedras de crack foi apreendido.

Em nove dias de ação, houve ainda 637 abordagens sociais e 898 abordagens de agentes de saúde, que resultaram em 72 encaminhamentos para albergues e 34 para o serviço de saúde. O número de internações chegou a 47, e o de encaminhamento para hospitais, a nove.

Efetivo maior





Para combater a dispersão de usuários e traficantes, a Polícia Militar dobrou o policiamento nas regiões próximas à Cracolândia. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, 287 policiais militares compõem o efetivo da corporação na nova fase da ação. A operação também ganhou mais viaturas. São 117 carros e 26 motos, além do patrulhamento com bicicletas, 40 cavalos, 12 cães farejadores e o helicóptero Águia.

Desde a tarde desta terça-feira (10), a Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), tropa de elite da PM paulista, faz patrulhamento preventivo pelo centro da cidade. A ideia é evitar novas cracolândias nestas áreas.

Em entrevista à Rede Record na manhã desta quarta, o tenente-coronel Wagner Rodrigues afirmou que houve um acréscimo do efetivo policial em locais como Higienópolis, República, Santa Ifigênia e Arouche, além de avenidas como a Angélica.

Fases

Esta é a primeira fase de um projeto de recuperação dos usuários que se instalaram no centro. Ela deverá ser seguida pela atuação de agentes sociais e de saúde. O objetivo é combater o tráfico de drogas na região, diminuir a criminalidade e recuperar as áreas degradadas. Não há previsão para que a operação acabe.

A prefeitura promete ainda construir um centro para tratamento e alojamento de usuários de drogas, que será localizado na rua Prates.

Polêmica

Uma polêmica cercou a ação na Cracolândia na última semana após vazarem informações de que a operação havia sido deflagrada pelo segundo escalão da Polícia Militar e do governo do Estado.

A ação era planejada em alto nível. O governador Geraldo Alckmin (PSDB), o prefeito Gilberto Kassab (PSD) e as cúpulas da Segurança Pública, Assistência Social e Saúde das duas esferas de governo estavam acertando tudo para que o trabalho começasse em fevereiro, após a abertura do centro de atendimento. Eles queriam evitar que os dependentes se espalhassem pela cidade depois do cerco à Cracolândia. No entanto, após uma reunião, o segundo escalão pôs o time em campo sem avisar o Comando-Geral da PM, o governador e a prefeitura.

Kassab negou uma crise por conta disso. Em entrevistas, declarou que a PM não precisa esperar para agir e afirmou que a inauguração do centro para usuários de drogas independe da operação deflagrada na última terça.

Fonte: R7





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