O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, afirmou na noite desta segunda-feira (2), que as linhas 7-Rubi e 8-Diamante da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) voltarão a funcionar na manhã desta terça (3), a partir das 6h. Elas estão parcialmente interditadas desde um incêndio ocorrido na Favela do Moinho em 22 de dezembro, no bairro centro de São Paulo.
Após vistoria aos entulhos da demolição parcial feita no domingo (1º), o prefeito disse que a obra já não oferece riscos para a circulação dos trens. A CPTM poderá a partir das 23h desta segunda inspecionar as vias aéreas e os trilhos e realizar os trabalhos de manutenção e limpeza.
Não haverá tempo hábil para que as linhas voltem a circular no horário normal da companhia (às 4h), de acordo com Kassab. O prefeito estará presente no início da movimentação dos trens no local afetado. Segundo a Prefeitura, as composições deverão operar inicialmente em capacidade reduzida para análise do comportamento da edificação.
A CPTM não se manifestou na noite desta segunda sobre a volta da circulação dos trens anunciada por Kassab.
A implosão é motivo de estranheza entre engenheiros porque derrubou apenas dois andares inferiores da edificação e deixou os quatro superiores em pé. Para Manoel Jorge Dias, engenheiro especialista em implosão, a quantidade de explosivos utilizada foi “absurda” – os técnicos contratados pela Prefeitura estimaram em 800 quilos. “Uma coisa como essa demandaria 75 quilos de explosivos, desde que instalados em pontos estratégicos”, afirmou. “A implosão, por mais que tenham mencionado que foi um sucesso, mesmo para o mais leigo a expectativa era de que o resultado fosse melhor.”
Segundo, Kassab, porém, a implosão foi “muito bem sucedida” e saiu como o planejado, pois o objetivo principal era liberar as linhas. “Não poderia (ser tudo demolido) porque não poderíamos restabelecer a circulação”, disse. Segundo o prefeito, o prazo estimado desde a primeira inspeção para a implosão total do prédio é de 90 dias. O restante da edificação já está sendo retirado com o uso de escavadeiras.
O prefeito estimou no domingo em R$ 3,5 milhões o custo total da demolição. Nesta segunda, informou que o valor inclui também outros trabalhos, como o reaproveitamento do concreto retirado na pavimentação da cidade. Obras em caráter emergencial não têm preço pré-definido. Neste tipo de contratação, o valor é posteriormente auditado e pago. Ele não confirmou que foram usados 800 quilos de explosivos.
Nelson Sampaio, diretor da Fremix Engenharia, calculou que a empresa receberá pela obra daqui a seis meses. Ele disse não saber o preço. “Talvez R$ 2,5, R$ 3 ou R$ 1 milhão. Há uma série de eventos que você não está acostumado. Ás vezes encarece ou diminui o preço da obra”, disse. O custo será apurado, segundo ele, ao final da obra.
Avariadas
Moradores de casas que ficaram avariadas em razão da implosão serão indenizados, segundo Kassab. Ele acrescentou que a estratégia utilizada de demolir apenas os dois primeiros andares levou em conta o risco que uma demolição total e com mais explosivos traria aos moradores do entorno.
Fonte: G1
