{"id":1009,"date":"2012-10-19T09:43:08","date_gmt":"2012-10-19T11:43:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.encontracentrosaopaulo.com.br\/noticias\/?p=1009"},"modified":"2019-04-29T16:21:37","modified_gmt":"2019-04-29T19:21:37","slug":"peca-noturnos-e-atracao-no-centro-de-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.encontracentrosaopaulo.com.br\/sobre\/peca-noturnos-e-atracao-no-centro-de-sao-paulo\/","title":{"rendered":"Pe\u00e7a Noturnos \u00e9 atra\u00e7\u00e3o no Centro de S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<div class=\"d6585b5127f45a35450431d0abc3f90c\" data-index=\"1\" style=\"float: none; margin:0px;\">\n<!-- Anuncio display - global -->\r\n<ins class=\"adsbygoogle\"\r\n     style=\"display:block\"\r\n     data-ad-client=\"ca-pub-8585364105181520\"\r\n     data-ad-slot=\"8789329856\"\r\n     data-ad-format=\"auto\"\r\n     data-full-width-responsive=\"true\"><\/ins>\r\n<script>\r\n     (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});\r\n<\/script>\n<\/div>\n<p>Um mergulho pela noite e os acontecimentos que permeiam os moradores de rua. Assim pode ser definido o espet\u00e1culo &#8220;Noturnos&#8221;, estrelado pela companhia recifense Fiandeiros, que estreia na capital paulista, no pr\u00f3ximo dia 31, no palco do Teatro IVO 60, na Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>A pe\u00e7a \u00e9 fruto de uma pesquisa sobre invisibilidade social realizada com moradores de rua da cidade do Recife. &#8220;A pesquisa em si demorou aproximadamente nove meses e a montagem mais uns tr\u00eas. Isso tudo d\u00e1 em torno de um ano a um ano e meio, desde o in\u00edcio da pesquisa at\u00e9 a conclus\u00e3o e montagem do espet\u00e1culo&#8221;, revela o diretor da pe\u00e7a e da companhia, Andr\u00e9 Filho.<\/p>\n<p>Foi a partir dessa pesquisa que a dramaturgia foi desenvolvida. Com isso, o espet\u00e1culo aborda a invisibilidade social como um todo, tendo como pano de fundo os moradores de rua.<\/p>\n<p>A ideia surgiu de um livro chamado &#8220;Homens Invis\u00edveis&#8221;, de Fernando Braga Costa, um soci\u00f3logo e professor da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). &#8220;Neste trabalho, Braga deu \u00eanfase na invisibilidade dos garis e a partir desse trabalho decidi mudar o foco e colocar os moradores de rua em evid\u00eancia&#8221;, explica Filho.<\/p>\n<p>O espet\u00e1culo se divide em tr\u00eas quadros, em que os personagens n\u00e3o t\u00eam nomes e em que n\u00e3o h\u00e1 a preocupa\u00e7\u00e3o de contar a hist\u00f3ria de nenhum deles. &#8220;S\u00e3o como arqu\u00e9tipos do homem urbano, que fazem parte dessa neurose. Nos tr\u00eas quadros s\u00e3o abordados temas como a solid\u00e3o na cidade grande, a viol\u00eancia, os traumas sexuais, entre outros.&#8221;<\/p>\n<p>A primeira cena conta a hist\u00f3ria de uma mulher mais velha, que n\u00e3o enxerga, e de uma jovem. Ambas vivem nas ruas. A mais velha est\u00e1 em busca de sua filha, que a abandonou, enquanto a mais nova tamb\u00e9m procura uma m\u00e3e. Fica um jogo que instiga a plateia a descobrir se a garota \u00e9 realmente filha dela ou n\u00e3o. No segundo momento, um personagem aparece sozinho e fala da solid\u00e3o e da neurose. &#8220;Ele dialoga com a pr\u00f3pria solid\u00e3o, com a neurose, com a viol\u00eancia da cidade grande.&#8221;<\/p>\n<p>Na terceira cena, \u00e9 a vez de dois artistas circenses tomarem o palco. Um palha\u00e7o velho e decandente que tamb\u00e9m mora nas ruas \u00e9 o contraponto de uma musicista interpretada por uma atriz mais jovem.<\/p>\n<p>Enquanto um v\u00ea sua vida se fechar, a outra busca a gl\u00f3ria e o estrelato. H\u00e1 um conflito de gera\u00e7\u00f5es, nascimento, vida e morte. S\u00e3o tr\u00eas momentos bem distintos.<\/p>\n<p><strong>Debate<\/strong><\/p>\n<p>Um dos diferenciais \u00e9 que depois de cada apresenta\u00e7\u00e3o, os atores fazem um debate junto a plateia para tratar do tema a gente realiza debates com a plateia para tratar do tema invisibilidade social. &#8220;Em S\u00e3o Paulo esse debate vai contar com a presen\u00e7a do professor Fernando Braga Costa, para discutir conosco todas essas quest\u00f5es&#8221;, conta o diretor.<\/p>\n<p>&#8220;Noturnos&#8221; foi apresentado em Niter\u00f3i e na cidade do Rio de Janeiro, e a receptividade do p\u00fablico tem sido positiva. &#8220;T\u00eam surgido discuss\u00f5es muito interessantes. Um dado que a gente n\u00e3o sabia \u00e9 que 10% dos moradores de rua do Rio s\u00e3o oriundos de faculdade, t\u00eam p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e tiveram um padr\u00e3o educacional muito bom. Por alguma raz\u00e3o em suas vidas resolveram ir morar nas ruas&#8221;, afirma Andr\u00e9 Filho. Com dura\u00e7\u00e3o de uma hora e vinte minutos, o espet\u00e1culo reserva ainda uns 40 minutos ap\u00f3s a apresenta\u00e7\u00e3o para conversar com o p\u00fablico sobra o processo de cria\u00e7\u00e3o de personagem e a troca de experi\u00eancias e informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de ter passado pelo Rio de Janeiro, Niter\u00f3i e chegar a S\u00e3o Paulo, a montagem ainda segue rumo a Curitiba. &#8220;A princ\u00edpio nosso espet\u00e1culo iria circular pelo norte e nordeste do Brasil. Mas conseguimos uma pesquisa com dados oficiais do pr\u00f3prio governo que as quatro cidades com maior \u00edndice de moradores de rua eram exatamente essas quatro. Foi ent\u00e3o que decidimos viajar para esses lugares para com o objetivo de suscitar uma discuss\u00e3o sobre essa tem\u00e1tica&#8221;, explica.<\/p>\n<p>Conscientiza\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Com o intuito de levar o p\u00fablico a reflex\u00e3o do que \u00e9 a invisibilidade social, o grupo pretende aproximar os espectadores dos que vivem a margem da sociedade. &#8220;Queremos apresentar uma obra de arte. Se conseguirmos fazer com que as pessoas nos entendam, um dos nossos objetivos est\u00e1 conquistado. Agora enquanto obra de arte, cada um ter\u00e1 sua interpreta\u00e7\u00e3o. N\u00e3o temos a pretens\u00e3o de levantar uma quest\u00e3o sociol\u00f3gica sobre a tem\u00e1tica&#8221;.<\/p>\n<p>Segundo o diretor, em algum momento da vida todos passam por uma situa\u00e7\u00e3o em que ficam invis\u00edveis perante ao outro. &#8220;Seria interessante se as pessoas conversassem sobre o que \u00e9 ser invis\u00edvel nessa sociedade contempor\u00e2nea. Acho que \u00e9 o grande ponto da pe\u00e7a, o que \u00e9 ser vis\u00edvel ou invis\u00edvel. Hoje n\u00e3o nos v\u00eaem mais como seres humanos. Somos vistos pelo CPF, ou pelas institui\u00e7\u00f5es as quais pertencemos&#8221;.<\/p>\n<p>Entre os principais desafios na hora de compor a pe\u00e7a, esteve o processo de pesquisa de campo. &#8220;Para o ator essa foi a maior dificuldade com certeza. Conviver com o pessoal nas ruas, com uma realidade completamente diferente do que se est\u00e1 habituado \u00e9 dif\u00edcil. Nunca teremos de fato a ideia do que \u00e9 ser um morador de rua, porque por mais que pass\u00e1ssemos tr\u00eas ou quatro horas com eles, a hora que sa\u00edamos dali \u00edamos para nossas casas, ter\u00edamos nosso banho, \u00edamos discutir tudo no bar. Mas eles n\u00e3o fariam isso&#8221;, relata.<\/p>\n<p>Em contrapartida, o grande trabalho do diretor foi colocar todas essas observa\u00e7\u00f5es em uma dramaturgia, traduzir essa experi\u00eancia em palavras. &#8220;N\u00e3o queria fazer um espet\u00e1culo em que ficassem esperando por um texto sobre mis\u00e9ria ou em que as pessoas falam errado. Minha preocupa\u00e7\u00e3o foi escrever sobre tudo isso de uma maneira po\u00e9tica e l\u00fadica&#8221;.<\/p>\n<p>Os personagens colocam as quest\u00f5es com tom de realismo, mas de uma maneira tranquila, que n\u00e3o exp\u00f5e nenhum dos moradores e nem explora a realidade deles. &#8220;N\u00e3o quis contar a hist\u00f3ria de nenhum morador de rua. Nosso objetivo foi falar de maneira ampla e plural a quest\u00e3o da invisibilidade tendo o universo dessas pessoas como pano de fundo&#8221;.<\/p>\n<p>Com todas essas experi\u00eancias, o nome &#8220;Noturnos&#8221; veio de uma maneira natural. &#8220;Decidi colocar esse t\u00edtulo porque nossas sa\u00eddas se davam na parte da noite na maioria das vezes&#8221;, finaliza o diretor.<\/p>\n<p><strong>Servi\u00e7o:<\/strong><\/p>\n<p>Noturnos &#8211; Teatro IVO 60, \u00e0 R. Teodoro Baima, 78, na Rep\u00fablica. De 31 de outubro a 2 de novembro. Ingressos: R$ 10 a R$ 20. Informa\u00e7\u00f5es: (11) 99642-8350.<\/p>\n<p><strong>Fonte: Portal DCI <\/strong><\/p>\n\n<div style=\"font-size: 0px; height: 0px; line-height: 0px; margin: 0; padding: 0; clear: both;\"><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um mergulho pela noite e os acontecimentos que permeiam os moradores de rua. 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