Centro SP: Após incêndio, parte da favela do Moinho vai virar estacionamento

Logo após o incêndio que consumiu cerca de 80 barracos na favela do Moinho, em Campos Elísios, na região central de SP, no último dia 17 de setembro, parte da área afetada pelo fogo irá se transformar em um estacionamento privado. De acordo com moradores da região e líderes da comunidade, o local do foco do incêndio, sob o viaduto Orlando Murgel, será exatamente a entrada do empreendimento.

A área que dará lugar ao estacionamento era um “matagal”, como conta o próprio vice-presidente da comunidade do Moinho Humberto Rocha. “Chamávamos de bosquinho, mas agora já passaram as máquinas”, afirmou Humberto, que mora na comunidade há oito anos.

O líder comunitário conta ainda que no dia seguinte do incêndio, 18 de setembro, máquinas já começavam a trabalhar no terreno para iniciar as obras. “Todo mundo acha meio esquisito. Tudo é possível, mas não quero colocar a culpa em ninguém”, explicou Humberto.



O terreno pertence à Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) e foi “cedido” à empresa Terminal Barra Funda Estacionamentos Ltda. ME. em “processo de licitação pública”, como informa a própria Ceagesp em nota oficial, para a construção do estacionamento. Humberto conta que acreditou que a propriedade pudesse ser usada para outros fins, como, por exemplo, a construção de moradias populares. “Tinha esperanças”, lamentou o líder comunitário.

De acordo com a Ceagesp, a licitação foi realizada em 17 de julho deste ano e foi cedida à tal empresa através de um “Termo de Permissão Remunerada de Uso”, uma espécie de aluguel. “A empresa que venceu a licitação está no momento realizando trabalho de benfeitorias no local. A Ceagesp informa ainda que esse terreno nunca foi motivo de disputa com os moradores do entorno e lamenta pelos incidentes ocorridos nas moradias das pessoas que vivem na Favela do Moinho próxima ao mesmo viaduto”, disse, em nota.

Terra entrou em contato com a Terminal Barra Funda Estacionamentos Ltda. ME., mas a empresa não se manifestou, já que o responsável não estava presente.

Fonte: Portal Terra



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