Theatro São Pedro no Centro

Theatro São Pedro no Centro O Theatro São Pedro no Centro de São Paulo foi inaugurado no início de 1917, quando os jornais paulistanos anunciaram a abertura de uma nova casa de espetáculos na cidade.

O edifício, de estilo neoclássico oferece 28 amplas frisas, 28 camarotes, platéia com 800 lugares e uma espaçosa geral que comportava mil pessoas, além de quatro filas de balcões, vizinhos aos camarotes, com 100 cadeiras.

História

Prevista inicialmente para o dia 16 de janeiro de 1917, a inauguração só ocorreu no dia 20 porque a Prefeitura determinou a realização de algumas obras adicionais para conceder o alvará de funcionamento.

O atraso de quatro dias não empanou o brilho da programação inaugural. Seguindo os costumes da época, o programa abriu com a apresentação de dois filmes “de grande sucesso e completa novidade” – A Moreninha, baseado no romance de Joaquim Manuel de Macedo, e O Escravo de Lúcifer.

A seguir, veio ao palco o menino Cecílio Leal do Canto, de apenas 7 anos, apelidado de “o pequeno Caruso”, que cantou “Celeste Aída”, da ópera Aída, de Verdi, e “Vesti la Giubba”, de I Pagliacci, de Leoncavallo. A programação incluiu ainda os artistas João Rodrigues e Aurélia Mendes, que apresentaram conferências caipiras, monólogos, ditos e fados portugueses.

Assim, a partir de fevereiro o novo teatro passou a fazer parte da programação cultural de São Paulo. A casa tornou-se ponto de encontro para os moradores da Barra Funda, de Santa Cecília, de Higienópolis, de Campos Elíseos e de Perdizes.

Os Empreendedores

A existência do Theatro São Pedro está intimamente ligada à influência dos imigrantes, que foram o motor do crescimento e do desenvolvimento da cidade no princípio do Século XX. Seu idealizador foi Manuel Ferreira Lopes, um jovem português que fez fortuna com casas de espetáculos em São Paulo e no Rio de Janeiro.

O projeto do teatro foi desenvolvido pelo imigrante italiano Augusto Bernardelli Marchesini. Mas quem se encarregou da obra foi um brasileiro, o engenheiro Antonio Alves Villares da Silva, nascido em Campinas, formado pela Escola Politécnica e colaborador de Ramos de Azevedo.

Tradicional Cinema de Bairro

A partir dos anos 20 o Theatro São Pedro passou a funcionar predominantemente como cinema. A princípio apresentava programas duplos. Era freqüentado por moradores da região, muitos dos quais sequer se davam ao trabalho de verificar quais os filmes que iriam assistir. Continuou a funcionar como cinema até a década de 60.

A Recuperação

Em novembro de 1967 uma reportagem do Jornal da Tarde anunciou a intenção do grupo formado pela atriz Lélia Abramo, pela professora de artes cênicas Maria José de Carvalho, pelo produtor Vicente Amato Filho, pelo ator Marcos Salles e pela artista plástica Fayvel Hochman, de recuperar o teatro e fazer dele a sede da Companhia Teatro Papyrus.

Os planos não foram adiante pois a recuperação mínima do teatro para que o mesmo pudesse ser aberto, demandava uma cifra extremamente elevada e a tão desejada re-ocupação do prédio teve que ser postergada.

No entanto este foi o início do processo de recuperação do São Pedro, pois passou a ser reconsiderado como um espaço cultural em potencial no cenário cultural da cidade.

Em 1968, o Teatro passa a ser administrado por Beatriz e Maurício Segall e nesse período se inicia a fase gloriosa do teatro. Assim, pouco mais de meio século depois de sua inauguração, as cortinas do São Pedro voltam a se abrir.

Para o início das atividades o prédio foi parcialmente reformado, na parte externa as paredes foram pintadas em cor ocre e internamente em cor bege. A platéia e balcão ofereciam lugares para 700 espectadores e a acústica era um aspecto merecedor de destaque.

Entre 1968 a 1981, foram montados inúmeros espetáculos, de grande relevância para a história dos palcos nacionais. O teatro ofereceu ao público "Os Fuzis da Sra. Carrar" e "Marta Saré" marcos significativos do movimento teatral paulista, caracterizado pela polêmica em torno do teatro de protesto e a luta contra a censura.

Neste teatro ocorreu a apresentação da memorável montagem de Morte e Vida Severina, de autoria de João Cabral de Melo Neto, com música de Chico Buarque de Holanda e direção de Silnei Siqueira, com Paulo Autran, Carlos Miranda e grande elenco. 

Numa época em que a repressão levava muitas pessoas a ver na ação cultural uma alternativa à ação política, uma segunda sala foi criada no espaço do terceiro balcão e do foyer, o Studio São Pedro.

Resultado de uma reforma ocorrida em 1970, esta nova sala foi inaugurada com a apresentação da peça “A Longa Noite de Cristal”, que deu ao seu autor Oduvaldo Viana Filho o prêmio Moliére daquele ano.

Era o auge da ditadura, a época do teatro de resistência. Em 1971, com o fim do Teatro de Arena, Maurício Segall cedeu o Studio São Pedro para que o Núcleo, grupo que pertencia ao Teatro Arena e desenvolvia um teatro popular, ensaiasse “Tambores da Noite”, de Bertold Brecht.

Em 1973 , o teatro foi sub-locado à Secretaria de Estado da Cultura como sede da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, sob a regência do renomado Maestro Eleazar de Carvalho.

O Studio continuava abrigando montagens teatrais ainda liderados por Maurício e Beatriz Segall e continuava a ser sub-locado novamente para outros grupos até 1981, quando o prédio foi devolvido a seus proprietários, descendentes de Manoel Fernandes Lopes.

Tombamento

O processo de tombamento do Theatro São Pedro, que tramitava desde 1982, culminou em agosto de 1984, quando o então secretário estadual da Cultura, Jorge da Cunha Lima, declarou oficialmente a preservação da histórica casa de espetáculos.

Em março de 1987, a partir do decreto de sua desapropriação, o teatro passou para a guarda e a responsabilidade da Secretaria de Estado da Cultura. Mesmo assim, mais de uma década transcorreu antes que ele fosse restaurado e voltasse a abrir suas portas para o público paulistano.

A Restauração

Em 1998 o Theatro São Pedro finalmente foi restaurado. Uma reforma meticulosa recuperou suas características arquitetônicas originais que resgatam a memória artística paulistana se constituindo como um dos poucos referenciais da cultura do começo do Século XX que restam em São Paulo.

A reforma foi marcada pela recuperação das linhas originais do prédio, conciliando uma moderna infra-estrutura de teatro, totalmente adequada às exigências dos espetáculos atuais.

O palco foi refeito seguindo os padrões dos recursos cênicos da atualidade, o  piso da platéia foi restaurado e sua inclinação modificada; recuperou-se o espaço das frisas sob o primeiro balcão e removeu-se a alvenaria que escondia os pilares originais.

Através de prospecção, foram recuperadas as referências das pinturas que decoravam o foyer da entrada e toda parte de serralheria que define o desenho dos guarda-corpos e corrimãos, seguem o modelo original.

Elementos decorativos presentes na fachada foram elaborados a partir dos modelos originais registrados em fotos de época e novamente inseridos em seu local original.

A casa conta também com tratamento acústico adequado às apresentações musicais e cênicas, equipamentos modernos de som, luz, ar condicionado e sistema de combate a incêndio. A tecnologia, aliada à preservação histórica, fez o Theatro São Pedro renascer.

Sala Dinorá de Carvalho

No dia 19 de janeiro de 2002 foi inaugurada, num anexo do teatro, a Sala Dinorá de Carvalho, homenagem à pianista e compositora que, em seus 85 anos de vida, se dedicou ao estudo, à criação e à divulgação da música brasileira.

Dinorá de Carvalho nasceu em Uberaba (MG) em 1895 e morreu em São Paulo em 1980. Iniciou seus estudos musicais aos 6 anos no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo e já aos 7 anos fez sua estréia numa audição em que tocou obras de Mozart e Mendelssohn.

Aos 8 anos improvisava peças e aos 14 compunha músicas, que interpretava ao piano.

Diplomou-se aos 15 anos e a partir daí passou a se apresentar com sucesso nas principais cidades do País. Em 1921 recebeu do Ministério da Cultura uma bolsa de estudos para estudar em Paris, onde foi aluna de Isidor Philip.

Em sua temporada européia apresentou-se em diversas capitais. Quando voltou ao Brasil, em 1924, foi incentivada por Mário de Andrade a se dedicar à composição.

Além de elogiá-la em sua coluna de crítica musical, o poeta e escritor a apresentou a Lamberto Baldi, com quem Dinorá estudou harmonia, contraponto, fuga e composição. Além dele, foi aluna de Martin Brawnvieser, Ernest Mehlich e Camargo Guarnieri.

Elogiada por Villa-Lobos e aclamada internacionalmente, Dinorá teve suas obras executadas por grandes nomes, como Guiomar Novaes, Bidu Sayão, Camargo Guarnieri, Túlio Colatciopo, Souza Lima, Eleazar de Carvalho e Ernest Mehlich.

Foi a primeira mulher a entrar para a Academia Brasileira de Música e criou a primeira orquestra do Brasil composta só de mulheres – a Orquestra Feminina de São Paulo.

Foi uma das raras compositoras a escrever para instrumentos solistas, corais, coral e orquestra, conjuntos de câmara, piano e orquestra, orquestra sinfônica, teatro e balé.

Professora emérita, Dinorá recebeu prêmios e condecorações como compositora e intérprete, com destaque para o convite feito pelo Ministério da Cultura em 1960 para seguir em missão cultural para a Europa apresentando suas obras e as de outros compositores nacionais.

Também recebeu o prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) de 1977 na categoria Melhor Obra Vocal por sua obra Missa de Profundis, para quatro solistas.

Compôs cerca de 400 obras, entre elas Contrastes (para piano e orquestra), Ó que Noite Bonita (para piano), Procissão de Cinzas em Pernambuco (para coro) e A Menina Preta que Buscava Deus (canto nagô para canto e piano).

A Sala Dinorá de Carvalho recebeu o piano Steinway que pertenceu à pianista. Foi idealizada para receber recitais e grupos de câmara e tem capacidade para 90 pessoas.

Theatro São Pedro no Centro
Endereço: Rua Barra Funda, 171 - Centro - São Paulo - SP
Telefone: (11) 3667-0499




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